sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Uma Pequena Historinha de Natal...



Era uma vez um menino chamado Ivan. Ivan vivia numa vizinhança que todos, de crianças a velhos gostavam muito de confusão, eles brigavam entre si direto. Porém Ivan era quieto e gostava da paz e do sossego. Muitos dos visinhos de Ivan zombavam dele.
   Um garoto muito mal-educado chamado Gary Frederico gostava muito de zombar do pobre do Ivan( Gary Frederico brigava com todos)
   Dia a pós dia todos brigavam entre si.
  Porém na véspera de natal, aconteceu algo diferente: ninguém brigava com ninguém. Todos estavam tratando um ao outro com amor e carinho. Ninguém zombava de Ivan, ninguém zombava de ninguém, um clima perfeito. Aconteceu algo impensável: Todos  perdoavam um ao outro, tudo o que tinha feito durante todo o ano. Ivan que era uma criança cristã, estava orando, terminada a oração, perguntaram para ele o que ele pediu na oração, ele respondeu:
 - que todos os dias sejam natal!!!




  Escrevi essa pequena história( que por sinal reconheço ser de baixa qualidade) para mostrar a hipocrisia das pessoas, pois muitos falam do ''espirito Natalino'' quando na verdade termos que ter esse ''espirito'' sempre.


A excelência do amor.


Muitos cristãos se esquecem que a fé cristã consiste no amor. O mestre resumiu toda a lei moral Bíblica em: ‘’amará o Senhor teu Deus de todo coração, de toda a tua alma, e de toda a sua força, e amarás o teu próximo como a si mesmo’’
  O Cristão não é aquele sujeito moralista, o Cristão é aquele sujeito que ama. A fé cristã não consiste em acreditar em um Deus e apenas ajudar as pessoas, a fé cristã consiste em um sentimento inexplicável e incontrolável chamado amor.

Uma das mais belas passagens da Escritura é 1co 13
‘’Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor. ‘’
1 Coríntios 13.

 Aqui vemos a excelência do amor. O amor não é apenas o ato de ajudar o pobre ou o ato de ter fé, o amor( que é a própria essência da verdadeira fé) O amor não se explica, o amor não se descreve, o amor não se escolhe.
  Vejam que o verdadeiro amor não é aquele amor que muitas vezes as pessoas pensam. O amor não é simplesmente ajudar o pobre, menos ainda quando homem e uma mulher sente-se desejo sexual, o amor é o fluir da graça de Deus em nós, o amor é o sujeito parar de pensar nele para pensar no outro, o amor é parar de pensar em viver para si próprio e viver para todos!!!O Amor é parar de buscar seus interesses para buscar os interesses das pessoas, quem ama não faz isso por causa de leis e ordens morais, quem ama faz isso pois ele gosta de fazer isso!!!Quem ama a Deus acima de todas as coisas, não faz isso como que por lei, ele faz isso porque realmente ama a Deus acima de todas as coisas; e quem ama o próximo como a si mesmo, não o faz meramente por ordem moral, mas porque realmente ama o próximo como a si mesmo( vejam o amor é um sentimento. Se você não amasse a Deus e ao próximo, vc não poderia fazer-lo, pois por mais que tentasse nunca conseguiria, pois não teria o sentimento do amor)...O Amor é o se alegrar em viver para Deus e para o próximo, o amor é o se alegrar em viver para a glória de Deus e o bem da sociedade. Até mesmo o amor conjugal é esse amor excelente, quando um homem e uma mulher se amam, eles não apenas querem ‘’se divertir ‘’ um com o outro por um tempo, eles querem viver uma vida, um se alegrando na alegria do outro, ambos vivendo uma vida como se fosse um só!!! O amor é o ajudar mesmo na necessidade!!!
  Eu queria poder escrever sobre o amor, ou pelo menos descrevê-lo um pouco, mas o amor é indescritível, eu escrevi algumas coisas que me vieram ao coração( a mente, rsrsr)!!!
   

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A máquina do tempo: Como seria um dialogo entre Lutero e um ''apóstolo'' moderno?


Suponhamos que fosse possível construir uma máquina do tempo e que alguém fosse em Wittenberg em  01 de novembro de 1517 e convidasse o reformador Alemão Martinho Lutero, a fazer uma visita ao século XXI.  

Ao chegar ao Rio de Janeiro, com certeza Lutero se encantaria com a beleza da cidade, com o topografia privilegiada da capital fluminense, com a espontaneidade do carioca e com a alegria do povo brasileiro. Todavia, se fosse levado a uma igreja neopentecostal  o grande Reformador ficaria apavorado.

Imaginemos então o diálogo entre Lutero e um apóstolo tupiniquim:

Lutero: Boa tarde! Estou feliz por estar aqui na cidade maravilhosa, Me disseram que o Rio de Janeiro possui milhões de protestantes. Louvado seja Deus pela salvação deste povo.

Apóstolo: Grande Lutero, eu declaro a bênção de Deus sobre sua sua vida, eu determino a vitória sobre sua vida, e ministério.

Lutero: Como assim determino? Por acaso não é Deus que possui este poder?

Apóstolo: Lutero, por acaso você nunca leu na Bíblia que tudo aquilo que Jesus conquistou na cruz é direito nosso? Ora, você desconhece o fato de que não somos cauda e sim cabeça? Não entende que temos poder para fazer o homem prosperar e crescer segundo a vontade de Deus? 

Lutero: Apóstolo, Aliais, apóstolo? Estranho isso! Sua interpretação bíblica está absolutamente equivocada!

Apóstolo: Lutero, você não entende dos mistérios de "Papai", deixemos isso para lá! Bem, soube que você compôs uma canção chamada "Castelo Forte" e que nela você diz o seguinte "se tivermos que perder, família, bens,  poder."  Por acaso você dia isso mesmo? Meu Jesus amado, quanta ignorância! Rapaz será que você nunca ouviu falar na unção da nobreza? Deixe-me lhe dizer uma coisa: você está atrasado meu filho! Se você não tomar posse da bênção, vais morrer na miséria. Mas, veja bem, vou lhe ensinar uma coisa: Se você contribuir com o meu ministério internacional e apostólico semeando ofertas generosas de 10 mil dólares, em minha conta pessoal, sua vida mudará da água para o vinho. Você crê nisso? Então decrete a bênção!

Lutero: Como é que é? Eu que bebo a cerveja de Wintteberg e você que fica de porre?  Isso é simonia! 

Apóstolo: "Simo" o que? 

Lutero: Venda de indulgências. Você está fazendo exatamente o que a igreja Romana fez em minha época. Isso é pecado, é heresia e precisa ser combatido.

Apóstolo: Preste atenção como fala comigo, eu sou autoridade e questionar meus ensinos e decretos é tocar no ungido do Senhor. Cuidado, porque eu tenho poder para amaldiçoa-lo em nome de Deus.

Lutero: Mas quem age assim é o papa e seus cardeais. É o Papa que toma pra si uma autoridade que não lhe pertence. O papa diz que ele é representante de Deus, vigário de Cristo  e que quando ele fala "ex-cátedra" sua palavra é inquestionável. 

Apóstolo:  Vejo que você não entende nada!  Eu sou ungido do Senhor! Eu sou apóstolo ao contrário de você que é um mongezinho. Caro Lutero, diante da sua arrogância em me enfrentar eu profetizo sua miséria até que se arrependa do seu pecado e me honre com as suas primícias.

Lutero: Como assim?

Apóstolo: É simples meu caro alemão. Tudo aquilo que receber você destinará uma pequena parte para honrar o meu ministério. Agindo assim, Deus te abençoará.

Lutero:  Seu filho do diabo até quando perverterás o povo de Deus? Isso que está fazendo afronta a Palavra de Deus.  Por  favor me diga aonde é sua igreja? Preciso levar umas coisinhas para lá? 

Apóstolo: Vejo que se arrependeu meu caro alemão. A minha igreja fica na Rua da prosperidade, no bairro da unção profética.

Lutero: Não. Não me arrependi. Gostaria de colocar na porta de sua igreja a cópia de umas teses que ontem coloquei no Castelo de Winttenberg.

Que Deus tenha misericórdia da Igreja brasileira.

Renato Vargens

Fonte: Renato Vargens

Especial de Dia da Reforma

Hoje é o grande dia da Reforma! Minha oração é que a Reforma não seja só lembrada como uma data histórica  por nós, mas que possamos querer a Reforma a cada dia. Nós reformados, precisamos fazer uma reforma na igreja; nós precisamos olhar para o exemplo dos reformadores, precisamos não querer fazer pontes, como dizem alguns reformados, mas reformar! Precisamos, assim como os reformadores fizeram, ter coragem para nos opor ao erro, ao falso cristianismo! Que nesse dia, possamos nos lembra não apenas da Reforma e dos reformadores, mas principalmente que possamos ter o espirito da reforma e dos reformadores! Que possamos não fazer vista grossas aos erros, mas que possamos exortar aqueles que estão errados á luz das escrituras!

             As 95 teses de Martinho Lutero
Movido pelo amor e pelo empenho em prol do esclarecimento da verdade discutir-se-á em Wittemberg, sob a presidência do Rev. padre Martinho Lutero, o que segue. Aqueles que não puderem estar presentes para tratarem o assunto verbalmente conosco, o poderão fazer por escrito.
Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

1ª Tese
Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos...., certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo arrependimento.
2ª Tese
E esta expressão não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, isto é, à confissão e satisfação, a cargo do ofício dos sacerdotes.
3ª Tese
Todavia não quer que apenas se entenda o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de modificações da carne.
4ª Tese
Assim sendo, o arrependimento e o pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, a saber, até a entrada desta para a vida eterna.
5ª Tese
O papa não quer e não pode dispensar outras penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais.
6ª Tese
O papa não pode perdoar divida senão declarar e confirmar aquilo que Já foi perdoado por Deus; ou então faz nos casos que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida deixaria de ser em absoluto anulada ou perdoada.
7ª Tese
Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao sacerdote, seu vigário.
8ª Tese
Canones poenitendiales, que não as ordenanças de prescrição da maneira em que se deve confessar e expiar, apenas aio Impostas aos vivos, e, de acordo com as mesmas ordenanças, não dizem respeito aos moribundos.
9ª Tese
Eis porque o Espírito Santo nos faz bem mediante o papa, excluído este de todos os seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema
10ª Tese
Procedem desajuizadamente e mal os sacerdotes que reservam e impõem aos moribundos poenitentias canonicas ou penitências para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.
11ª Tese
Este joio, que é o de se transformar a penitência e satisfação, Previstas pelos cânones ou estatutos, em penitência ou penas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo.
12ª Tese
Outrora canonicae poenae, ou sejam penitência e satisfação por pecadores cometidos eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, com a finalidade de provar a sinceridade do arrependimento e do pesar.
13ª Tese
Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos para o direito canônico, sendo, portanto, dispensados, com justiça, de sua imposição.
14ª Tese
Piedade ou amor Imperfeitos da parte daquele que se acha às portas da morte necessariamente resultam em grande temor; logo, quanto menor o amor, tanto maior o temor.
15ª Tese
Este temor e espanto em si tão só, sem falar de outras cousas, bastam para causar o tormento e o horror do purgatório, pois que se avizinham da angústia do desespero.
16ª Tese
Inferno, purgatório e céu parecem ser tão diferentes quanto o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza.
17ª Tese
Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar o amor.
18ª Tese
Bem assim parece não ter sido provado, nem por boas ações e nem pela Escritura, que as almas no purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.
19ª Tese
Ainda parece não ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por ela, não obstante nós termos absoluta certeza disto.
20ª Tese
Por isso o papa não quer dizer e nem compreende com as palavras “perdão plenário de todas as penas” que todo o tormento é perdoado, mas as penas por ele impostas.
21ª Tese
Eis porque erram os apregoadores de indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo mediante a indulgência do papa.
22ª Tese
Pensa com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que segundo os cânones da Igreja deviam ter expiado e pago na presente vida.
23ª Tese
Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muito poucos.
24ª Tese
Assim sendo, a maioria do povo é ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas.
25ª Tese
Exatamente o mesmo poder geral, que o papa tem sobre o purgatório, qualquer bispo e cura d'almas o tem no seu bispado e na sua paróquia, quer de modo especial e quer para com os seus em particular.
26ª Tese
O papa faz muito bem em não conceder às almas o perdão em virtude do poder das chaves (ao qual não possui), mas pela ajuda ou em forma de intercessão.
27ª Tese
Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.
28ª Tese
Certo é que no momento em que a moeda soa na caixa vêm o lucro e o amor ao dinheiro cresce e aumenta; a ajuda, porém, ou a intercessão da Igreja tão só correspondem à vontade e ao agrado de Deus.
29ª Tese
E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com Santo Severino e Pascoal.
30ª Tese
Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento e pesar verdadeiros; muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos seus pecados.
31ª Tese
Tão raro como existe alguém que possui arrependimento e, pesar verdadeiros, tão raro também é aquele que verdadeiramente alcança indulgência, sendo bem poucos os que se encontram.
32ª Tese
Irão para o diabo juntamente com os seus mestres aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.
33ª Tese
Há que acautelasse muito e ter cuidado daqueles que dizem: A indulgência do papa é a mais sublime e mais preciosa graça ou dadiva de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.
34ª Tese
Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens.
35ª Tese
Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório ou adquirir breves de confissão não necessitam de arrependimento e pesar.
36ª Tese
Todo e qualquer cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indulgência.
37ª Tese
Todo e qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.
38ª Tese
Entretanto se não deve desprezar o perdão e a distribuição por parte do papa. Pois, conforme declarei, o seu perdão constitui uma declaração do perdão divino.
39ª Tese
É extremamente difícil, mesmo para os mais doutos teólogos, exaltar diante do povo ao mesmo tempo a grande riqueza da indulgência e ao contrário o verdadeiro arrependimento e pesar.
40ª Tese
O verdadeiro arrependimento e pesar buscam e amam o castigo: mas a profusão da indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça, pelo menos quando há oportunidade para isso.
41ª Tese
É necessário pregar cautelosamente sobre a indulgência papal para que o homem singelo não julgue erroneamente ser a indulgência preferível às demais obras de caridade ou melhor do que elas.
42ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, não ser pensamento e opinião do papa que a aquisição de indulgência de alguma maneira possa ser comparada com qualquer obra de caridade.
43ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados do que os que compram indulgências.
44ª Tese
Ê que pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não se torna melhor senão mais seguro e livre da pena.
45ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disto gasta dinheiro com indulgências, não adquire indulgências do papa. mas provoca a ira de Deus.
46ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem fartura , fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências.
47ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, ser a compra de indulgências livre e não ordenada
48ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa precisa conceder mais indulgências, mais necessita de uma oração fervorosa do que de dinheiro.
49ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, serem muito boas as indulgências do papa enquanto o homem não confiar nelas; mas muito prejudiciais quando, em conseqüência delas, se perde o temor de Deus.
50ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgências, preferiria ver a catedral de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
51ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que o papa, por dever seu, preferiria distribuir o seu dinheiro aos que em geral são despojados do dinheiro pelos apregoadores de indulgências, vendendo, se necessário fosse, a própria catedral de São Pedro.
52º Tese
Comete-se injustiça contra a Palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.
53ª Tese
São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a Palavra de Deus nas demais igrejas.
54ª Tese
Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.
55ª Tese
A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, que é a causa menor, com um sino, uma pompa e uma cerimônia, enquanto o Evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado mediante cem sinos, centenas de pompas e solenidades.
56ª Tese
Os tesouros da Igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados e nem suficientemente conhecido na Igreja de Cristo.
57ª Tese
Que não são bens temporais, é evidente, porquanto muitos pregadores a estes não distribuem com facilidade, antes os ajuntam.
58ª Tese
Tão pouco são os merecimentos de Cristo e dos santos, porquanto estes sempre são eficientes e, independentemente do papa, operam salvação do homem interior e a cruz, a morte e o inferno para o homem exterior.
59ª Tese
São Lourenço aos pobres chamava tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.
60ª Tese
Afirmamos com boa razão, sem temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, a ela dado pelo merecimento de Cristo.
61ª Tese
Evidente é que para o perdão de penas e para a absolvição em determinados casos o poder do papa por si só basta.
62ª Tese
O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.
63ª Tese
Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.
64ª Tese
Enquanto isso o tesouro das indulgências é sabiamente o mais apreciado, porquanto faz com que os últimos sejam os primeiros.
65ª Tese
Por essa razão os tesouros evangélicos outrora foram as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.
66ª Tese
Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.
67ª Tese
As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça decerto assim são consideradas porque lhes trazem grandes proventos.
68ª Tese
Nem por isso semelhante indigência não deixa de ser a mais Intima graça comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.
69ª Tese
Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda a reverência-
70ª Tese
Entretanto têm muito maior dever de conservar abertos olhos e ouvidos, para que estes comissários, em vez de cumprirem as ordens recebidas do papa, não preguem os seus próprios sonhos.
71ª Tese
Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.
72ª Tese
Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.
73ª Tese
Da mesma maneira em que o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos que em prejuízo do comércio de indulgências procedem astuciosamente.
74ª Tese
Muito mais deseja atingir com o desfavor e a excomunhão àqueles que, sob o pretexto de indulgência, prejudiquem a santa caridade e a verdade pela sua maneira de agir.
75ª Tese
Considerar as indulgências do papa tão poderosas, a ponto de poderem absolver alguém dos pecados, mesmo que (cousa impossível) tivesse desonrado a mãe de Deus, significa ser demente.
78 ª Tese
Bem ao contrario, afirmamos que a indulgência do papa nem mesmo o menor pecado venial pode anular o que diz respeito à culpa que constitui.
77ª Tese
Dizer que mesmo São Pedro, se agora fosse papa, não poderia dispensar maior indulgência, significa blasfemar S. Pedro e o papa.
78ª Tese
Em contrario dizemos que o atual papa, e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o Evangelho, as virtudes o dom de curar, etc., de acordo com o que diz 1Coríntios 12.
79ª Tese
Afirmar ter a cruz de indulgências adornada com as armas do papa e colocada na igreja tanto valor como a própria cruz de Cristo, é blasfêmia.
80ª Tese
Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas deste procedimento.
81ª Tese
Semelhante pregação, a enaltecer atrevida e insolentemente a Indulgência, faz com que mesmo a homens doutos é difícil proteger a devida reverência ao papa contra a maledicência e as fortes objeções dos leigos.
82 ª Tese
Eis um exemplo: Por que o papa não tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima' caridade e em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssimo motivo para tanto, quando em troca de vil dinheiro para a construção da catedral de S. Pedro, livra um sem número de almas, logo por motivo bastante Insignificante?
83ª Tese
Outrossim: Por que continuam as exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o dinheiro recebido para o mesmo fim ou não se permite os doadores busquem de novo os benefícios ou pretendas oferecidos em favor dos mortos, visto' ser Injusto continuar a rezar pelos já resgatados?
84ª Tese
Ainda: Que nova piedade de Deus e dó papa é esta, que permite a um ímpio e inimigo resgatar uma alma piedosa e agradável a Deus por amor ao dinheiro e não resgatar esta mesma alma piedosa e querida de sua grande necessidade por livre amor e sem paga?
85ª Tese
Ainda: Por que os cânones de penitencia, que, de fato, faz muito caducaram e morreram pelo desuso, tornam a ser resgatados mediante dinheiro em forma de indulgência como se continuassem bem vivos e em vigor?
86ª Tese
Ainda: Por que o papa, cuja fortuna hoje é mais principesca do que a de qualquer Credo, não prefere edificar a catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fiéis pobres?
87ª Tese
Ainda: Quê ou que parte concede o papa do dinheiro proveniente de indulgências aos que pela penitência completa assiste o direito à indulgência plenária?
88ª Tese
Afinal: Que maior bem poderia receber a Igreja, se o papa, como Já O faz, cem vezes ao dia, concedesse a cada fiel semelhante dispensa e participação da indulgência a título gratuito.
89ª Tese
Visto o papa visar mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que revoga os breves de indulgência outrora por ele concedidos, aos quais atribuía as mesmas virtudes?
90ª Tese
Refutar estes argumentos sagazes dos leigos pelo uso da força e não mediante argumentos da lógica, significa entregar a Igreja e o papa a zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.
91ª Tese
Se a Indulgência fosse apregoada segundo o espírito e sentido do papa, aqueles receios seriam facilmente desfeitos, nem mesmo teriam surgido.
92ª Tese
Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há Paz.
93ª Tese
Abençoados sejam, porém, todos os profetas que dizem à grei de Cristo: Cruz! Cruz! e não há cruz.
94ª Tese
Admoestem-se os cristãos a que se empenhem em seguir sua Cabeça Cristo através do padecimento, morte e inferno.
95ª Tese
E assim esperem mais entrar no Reino dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações infundadas.
         Hino Castelo Forte
1. Castelo forte é nosso Deus.
Espada e bom escudo;
Com seu poder defende os seus
Em todo transe agudo.
Com fúria pertinaz
Persegue Satanás,
Com artimanhas tais
E astúcias tão cruéis,
Que iguais não há na terra.
3. Se nos quisessem devorar
Demônios não contados,
Não nos podiam assustar,
Nem somos derrotados.
O grande acusador
Dos servos do Senhor
Já condenado está;
Vencido cairá
Por uma só palavra.
2. A nossa força nada faz,
Estamos, sim, perdidos;
Mas nosso Deus socorro traz
E somos protegidos.
Defende-nos Jesus,
O que venceu na cruz,
Senhor dos altos céus;
E, sendo o próprio Deus,
Triunfa na batalha.




4. Sim, que a palavra ficará,
Sabemos com certeza,
E nada nos assustará
Com Cristo por defesa.
Se temos de perder
Filhos, bens, mulher;
Embora a vida vá,
Por nós Jesus está
E dar-nos-á seu reino.